A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, coloca novamente Mato Grosso do Sul no centro das discussões sobre a produção nacional de insumos para o agronegócio. O reinício oficial do empreendimento ocorreu em 25 de junho de 2026, durante cerimônia que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e autoridades municipais e estaduais.

O projeto havia sido aprovado pela Petrobras em 13 de abril, depois de uma reavaliação técnica e econômica. De acordo com a Petrobras, a conclusão da fábrica deverá exigir investimento aproximado de US$ 1 bilhão. A previsão informada pela companhia é que a UFN-III comece as operações comerciais em 2029.

O que muda com a retomada da UFN-III

A unidade foi planejada para produzir ureia a partir de gás natural, insumo utilizado em diferentes etapas da atividade agropecuária. A localização em Três Lagoas favorece a conexão com mercados consumidores das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, áreas que concentram importantes cadeias de produção agrícola e pecuária.

Em sua comunicação sobre o empreendimento, a Petrobras classificou a UFN-III como o principal investimento previsto para o segmento de fertilizantes em seu Plano de Negócios 2026–2030. A companhia também relaciona o projeto à estratégia de ampliar a atuação no setor e reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, embora os efeitos sobre a oferta nacional dependam da conclusão e do início efetivo da operação.

A retomada não representa o começo do empreendimento do zero. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Três Lagoas, aproximadamente 81% das obras já estavam concluídas antes da paralisação. O município informou ainda que mais de R$ 3 bilhões haviam sido investidos na estrutura antes da interrupção dos trabalhos.

Impactos esperados para Três Lagoas

A reativação do canteiro deve movimentar setores ligados à construção civil, ao transporte, à prestação de serviços e ao fornecimento de equipamentos e materiais. Também existe expectativa de aumento na demanda por trabalhadores especializados e por empresas capazes de atender às necessidades da fase final de implantação, mas a quantidade de vagas e o cronograma detalhado das contratações não foram informados nas fontes consultadas.

Para Três Lagoas, cidade que abriga um dos principais polos industriais de Mato Grosso do Sul, a continuidade da UFN-III pode ampliar a circulação de recursos e fortalecer a cadeia de fornecedores. Os resultados, no entanto, ocorrerão em etapas: primeiro com a execução das obras e a contratação de serviços; depois, com a entrada em funcionamento da unidade e a formação de uma operação industrial permanente.

A dimensão do projeto também amplia seus efeitos para além do município. A produção de fertilizantes está diretamente ligada à competitividade do agronegócio, que depende de insumos para manter a produtividade. Com a fábrica em operação, a localização de Três Lagoas poderá contribuir para atender consumidores do Centro-Oeste, do Sul e do Sudeste com uma unidade instalada no território brasileiro.

Cronograma e próximos passos

A decisão de retomar a UFN-III foi tomada pelo Conselho de Administração da Petrobras em abril de 2026, após a análise da viabilidade técnica e econômica. Em 24 de junho, a empresa divulgou informações sobre a retomada e realizou aviso de pauta para a imprensa. No dia seguinte, ocorreu a cerimônia oficial de reinício em Três Lagoas.

O principal marco anunciado agora é a previsão de início das operações comerciais em 2029. Até lá, será necessário concluir as estruturas restantes, executar etapas de montagem e integração dos equipamentos, realizar testes e preparar a unidade para operar dentro dos requisitos técnicos e de segurança aplicáveis à indústria de fertilizantes.

As informações divulgadas pela Petrobras e pela Prefeitura de Três Lagoas confirmam o investimento estimado, o estágio avançado das obras e a previsão de funcionamento. Já os impactos sobre empregos, arrecadação e fornecedores são perspectivas associadas à retomada e não devem ser tratados como resultados já concretizados. A evolução do projeto será determinante para medir o efeito da UFN-III sobre a economia local e sobre o abastecimento de fertilizantes no país.

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