Paulo Roberto Gomes Fernandes presenciou a retomada da mobilização de grupos ambientalistas nos Estados Unidos contra o túnel sob o Lago Michigan, planejado para abrigar um novo trecho do oleoduto da Linha 5, operado pela Enbridge. O foco das críticas inclui impactos em áreas úmidas e a possibilidade de interferência em habitats de morcegos, com menção a espécies como o morcego orelhudo do norte e o morcego tricolor.
A proposta do túnel surgiu como resposta a preocupações acumuladas ao longo do tempo, intensificadas após incidentes envolvendo a infraestrutura existente. A controvérsia, contudo, não se limita ao traçado, pois envolve método construtivo, prazos extensos de obra e critérios de mitigação, pontos que costumam determinar como o licenciamento interpreta o equilíbrio entre segurança operacional e impactos locais.
Por que o argumento sobre morcegos ganhou espaço no licenciamento?
O debate ambiental costuma se apoiar em efeitos diretos e indiretos, e a discussão sobre morcegos aparece ligada ao uso do solo, à supressão de vegetação e a alterações em áreas úmidas, que podem afetar abrigo e rotas de alimentação. Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, esse tipo de questionamento tem força porque amplia o escopo da análise, deslocando o olhar do oleoduto em si para o conjunto de intervenções necessárias durante a construção, como abertura de acessos, circulação de caminhões e instalação de canteiros.
Entretanto, avaliações ambientais também consideram o risco atual da infraestrutura e o que muda com a solução proposta. A estrutura existente no estreito é alvo de preocupação por estar exposta a eventos externos, como danos por embarcações, situação lembrada após o episódio de 2018 em que uma âncora quase comprometeu a tubulação.

Pressão política, disputas judiciais e o ritmo das autorizações
A tramitação do projeto avançou em meio a pressões políticas e jurídicas. O Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA analisou potenciais impactos e sinalizou que a aprovação poderia ocorrer, especialmente após diretrizes federais voltadas a acelerar licenças consideradas estratégicas para a política energética. Conforme apresenta Paulo Roberto Gomes Fernandes, mesmo com a etapa federal evoluindo, o licenciamento estadual permaneceu como peça relevante, com o Departamento de Meio Ambiente, Grandes Lagos e Energia de Michigan tendo papel decisivo no cronograma.
As disputas também envolveram ações judiciais buscando a remoção da tubulação existente, o que elevou o grau de incerteza. O debate público passou a reunir argumentos de diferentes naturezas, com ambientalistas defendendo cautela adicional e a operadora destacando a necessidade de manter a rota energética.
Mitigações propostas e o que costuma pesar na análise técnica
Entre os pontos citados em análises técnicas aparecem efeitos temporários, como ruído, iluminação intensa e tráfego de caminhões ao longo de anos de construção, além de impactos permanentes associados à remoção pontual de vegetação e alterações localizadas na paisagem. A Enbridge indicou medidas de mitigação, como replantio de espécies nativas, limitação de atividades ruidosas ao período diurno e compensação de áreas úmidas por meio de créditos ambientais.
Outro aspecto sensível envolve segurança de obra em ambiente de escavação, com a necessidade de ventilação adequada para reduzir riscos operacionais. Paulo Roberto Gomes Fernandes pontua que túneis para dutos exigem compatibilização entre engenharia civil e requisitos de instalação, pois a etapa de escavação precisa conversar com o método de lançamento, com a logística de equipamentos e com os controles de integridade da tubulação.
O desafio do lançamento no túnel e o papel da tecnologia brasileira
O projeto prevê um túnel com cerca de sete quilômetros, com parte do trajeto em declive e parte em aclive, e diâmetro por volta de cinco metros. Esse conjunto impõe limitações de espaço e complexidade para movimentação e posicionamento da tubulação, tornando o método de lançamento um componente crítico do risco. Como reforça Paulo Roberto Gomes Fernandes, a experiência em lançamentos em ambientes confinados se torna diferencial, pois reduz improviso e aumenta previsibilidade em um cenário de restrição geométrica.
A Liderroll é citada nesse contexto por deter tecnologia patenteada para lançamento de dutos em túneis e por ter histórico em projetos no Brasil, como Gasduc III e Gastau. Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que o uso de roletes motrizes pode contribuir para o controle de tração e deslocamento, aumentando a segurança durante a instalação mesmo em trechos com variação de inclinação.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
