Prefeitura instala dez pontos de conexão de alta performance em unidades rurais, ambulâncias do SAMU e veículos que atendem comunidades ribeirinhas do Pantanal.

A Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá adquiriu e instalou dez pontos de internet via satélite de alta performance para atender regiões onde o sinal de telefonia e a internet móvel convencional sempre foram precários ou simplesmente inexistentes. Os equipamentos foram distribuídos entre unidades de saúde da zona rural, veículos da Estratégia de Saúde Ribeirinha, ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, carros de transporte intermunicipal e a própria base operacional do socorro no município.

A iniciativa busca resolver um problema histórico de Corumbá, uma das cidades com maior extensão territorial do Brasil, onde boa parte do território está inserida no Pantanal e conta com trechos de difícil acesso, sejam rodovias isoladas, assentamentos rurais ou comunidades ribeirinhas espalhadas ao longo dos rios da região.

Como a conexão muda o atendimento de emergência

Antes da instalação dos novos pontos de satélite, equipes de saúde relatavam apagões constantes de comunicação em áreas remotas, o que dificultava o contato com centrais de regulação e atrasava decisões médicas em situações de urgência. Com a nova estrutura, o sinal passa a ser estável mesmo em trechos sem cobertura de telefonia celular, permitindo que profissionais na ponta do atendimento se comuniquem em tempo real com hospitais e centrais de regulação do estado.

Um dos casos usados para ilustrar a importância da mudança envolveu um atendimento realizado na BR-262, em um trecho totalmente sem cobertura de celular, quando uma equipe precisou socorrer uma criança. Segundo relato de um médico envolvido no caso, a comunicação com o suporte hospitalar só foi possível graças ao roteador via satélite instalado na ambulância, o que se tornou decisivo para o desfecho do atendimento.

A coordenadora do SAMU em Corumbá, Juliane Coordeiro, também destacou que a base fixa do serviço sofria historicamente com oscilações da banda larga convencional, o que comprometia o funcionamento do sistema de acionamento integrado à Central de Regulação estadual. Com a nova tecnologia, essa dependência das operadoras tradicionais de internet fixa passa a ser reduzida de forma significativa.

O papel da tecnologia na saúde ribeirinha

Para a secretária municipal de Saúde, Tatiana Mattos, o investimento faz parte de um plano mais amplo de fortalecimento da rede pública de assistência pelo SUS na região. Segundo ela, levar conectividade de ponta para a zona rural e para os rios do Pantanal é uma forma direta de dar mais segurança tanto aos profissionais que atuam no atendimento quanto à população que depende desse serviço em situações de risco.

A Estratégia de Saúde Ribeirinha, voltada especificamente para comunidades que vivem às margens dos rios pantaneiros, deve ser uma das áreas mais beneficiadas pela mudança, já que essas equipes costumam enfrentar deslocamentos longos e isolamento quase total durante o atendimento em campo. Com o novo sistema, essas equipes ganham capacidade de transmitir informações médicas e receber orientação remota mesmo distante de centros urbanos.

A expectativa da gestão municipal é que a rede totalmente interconectada elimine os chamados pontos cegos de comunicação, garantindo socorro mais ágil tanto para a população urbana quanto para moradores rurais e ribeirinhos, público historicamente mais vulnerável em emergências de saúde no Pantanal.

O que esperar dos próximos passos

A prefeitura ainda não detalhou publicamente se pretende ampliar o número de pontos de conexão via satélite para outras áreas do município, mas a experiência inicial deve servir de referência para avaliar a viabilidade de expandir o modelo. Em uma região marcada por distâncias extensas e acesso limitado, soluções de conectividade tendem a ganhar espaço crescente na gestão pública local, tanto na saúde quanto em outras áreas que dependem de comunicação constante com a zona rural.

Para os moradores de comunidades isoladas de Corumbá, a mudança representa um avanço concreto na forma como emergências médicas passam a ser tratadas, reduzindo o tempo de resposta em situações que antes dependiam quase inteiramente da sorte de encontrar um ponto com sinal de telefone. A tendência é que o acompanhamento dos resultados dessa conectividade ajude a orientar futuros investimentos em infraestrutura digital para outras áreas remotas do Pantanal sul-mato-grossense.

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